kennywootton69

Call 353090956

About kennywootton69

Hipotireoidismo em cães: exame de TSH evita atraso na ZL?

O hipotireoidismo em cães é uma doença endócrina caracterizada pela produção insuficiente dos hormônios tireoidianos — principalmente a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) — pela glândula tireoide. Esses hormônios funcionam como o acelerador metabólico de praticamente todos os tecidos do organismo. Quando faltam, o corpo inteiro passa a operar em ritmo reduzido: o cão ganha peso sem comer mais, perde disposição, a pelagem rareia, a pele engrossa e uma série de processos fisiológicos silenciosamente desacelera.

Trata-se de uma das endocrinopatias mais frequentes da clínica de pequenos animais, com incidência estimada entre 0,2% e 0,8% da população canina atendida em serviços veterinários, segundo levantamentos publicados em periódicos de medicina veterinária. O número, porém, subestima a realidade: como os sinais surgem de forma lenta e se confundem com o envelhecimento normal, muitos casos permanecem sem diagnóstico por meses ou anos. É comum o tutor de um cão de sete, oito anos acreditar que o animal ”está apenas ficando velho”, quando existe uma condição tratável por trás da apatia e do ganho de peso.

Entender o que essa doença é, como ela se manifesta e como se confirma laboratorialmente muda a capacidade do tutor de agir no momento certo. Em uma região como a Zona Leste de São Paulo, onde a rotina é intensa e o deslocamento até um laboratório veterinário exige planejamento, reconhecer os sinais precoces significa transformar um check-up de rotina em uma intervenção que devolve qualidade de vida ao animal por muitos anos.

A tireoide e o eixo hormonal: o que acontece dentro do corpo do cão

Antes de falar em sintomas e exames, é preciso compreender a engrenagem que falha. O hipotireoidismo não é uma doença de um órgão isolado, e sim a ruptura de um sistema de comando que envolve cérebro, hipófise e tireoide trabalhando em conjunto.

A glândula tireoide e o controle do metabolismo

A tireoide é uma glândula pequena, em formato de borboleta, localizada na região ventral do pescoço, envolvendo a traqueia. Sua função é captar iodo da alimentação e transformá-lo em hormônios: a tireoide produz predominantemente T4 (tiroxina), que circula pelo sangue e, nos tecidos periféricos, é convertida na forma ativa, o T3 (triiodotironina). Essa conversão acontece principalmente no fígado e nos rins, e é por isso que doenças hepáticas ou renais podem alterar os resultados dos exames hormonais.

O T3 age nos núcleos das células e regula a taxa metabólica basal — a velocidade com que o organismo queima energia em repouso. Quando há hormônio suficiente, o coração bate no ritmo adequado, a temperatura corporal se mantém estável, os folículos pilosos produzem pelo normalmente, o intestino funciona em cadência previsível e o sistema imunológico responde de forma equilibrada. Quando há deficiência, cada um desses sistemas desacelera em graus diferentes, o que explica por que dois cães com o mesmo diagnóstico podem apresentar quadros clínicos bastante distintos.

O eixo hipotálamo-hipófise-tireoide

A produção hormonal não é autônoma. O hipotálamo, região do cérebro, libera o TRH (hormônio liberador de tireotrofina), que estimula a hipófise a secretar o TSH (hormônio estimulante da tireoide). O TSH, por sua vez, manda a tireoide produzir e liberar T4. Quando o T4 circulante está baixo, o corpo aumenta o TSH para tentar compensar; quando o T4 está alto, o TSH cai. Esse mecanismo de retroalimentação negativa é a base de um dos exames mais úteis no diagnóstico, e voltaremos a ele adiante.

Compreender esse eixo é o que permite diferenciar as origens da doença. Uma tireoide doente responde mal ao TSH e não produz hormônio. Uma hipófise doente não produz TSH suficiente, e a tireoide — embora estruturalmente saudável — fica sem estímulo. São problemas diferentes, com exames diferentes e interpretações diferentes.

Hipotireoidismo primário, secundário e atípico

Na medicina veterinária, a classificação mais utilizada divide o hipotireoidismo canino em três grupos:

O hipotireoidismo primário responde por mais de 95% dos casos e tem origem na própria tireoide. As duas causas mais frequentes são a tireoidite linfocítica, uma doença autoimune em que o sistema de defesa do próprio cão ataca a glândula, e a atrofia idiopática da tireoide, em que o tecido glandular é progressivamente substituído por tecido fibroso ou adiposo. Em ambos os cenários, a capacidade de produzir T4 se esgota aos poucos, o que explica o caráter insidioso do quadro.

O hipotireoidismo secundário é raro e decorre de falha da hipófise em produzir TSH. Pode estar associado a malformações congênitas, traumas, tumores hipofisários ou processos inflamatórios. Como a tireoide está íntegra, mas sem comando, os níveis hormonais caem e o quadro clínico é semelhante ao primário — a diferença aparece nos exames.

O hipotireoidismo terciário, ainda mais incomum, envolve falha hipotalâmica na produção de TRH. Existe também a categoria do hipotireoidismo atípico, descrita em cães que apresentam sinais clínicos compatíveis e respondem ao tratamento, mas cujos valores de T4 total, T4 livre e TSH permanecem dentro da normalidade nos testes convencionais. Esses casos exigem investigação mais refinada e reforçam a importância de um laboratório vet veterinário com metodologia validada.

Por que cães adoecem e gatos quase nunca — e o que isso muda

Existe uma assimetria curiosa e clinicamente relevante: o hipotireoidismo é comum em cães e extremamente raro em gatos. Nos felinos, o distúrbio tireoidiano predominante é o oposto — o hipertireoidismo, em que a glândula produz hormônio em excesso, geralmente por hiperplasia adenomatosa ou adenoma. Um gato com emagrecimento, apetite voraz, hiperatividade e pelagem ruim tem, quase sempre, excesso e não falta de hormônio.

Essa diferença tem consequência prática direta para quem tem cães e gatos em casa: os sinais que em um cão apontam para hipotireoidismo apontariam, em um gato, para uma direção completamente distinta. Tratar um gato com levotiroxina por engano, ou deixar de investigar um cão porque ”gato magro é normal”, são erros que comprometem o desfecho clínico. A espécie define a hipótese antes mesmo do exame.

Sinais clínicos: como o hipotireoidismo aparece no dia a dia do cão

Os sintomas do hipotireoidismo canino se instalam de forma gradual, e é justamente essa lentidão que os torna difíceis de perceber. O tutor convive com o animal todos os dias e se adapta às pequenas mudanças sem notá-las. Reconhecer os padrões ajuda a decidir quando vale procurar um laboratório veterinário.

Ganho de peso, letargia e intolerância ao exercício

A combinação mais clássica é ganho de peso sem aumento de apetite. O cão come a mesma quantidade de sempre — ou até menos — e ainda assim engorda. Isso acontece porque a taxa metabólica caiu e o gasto energético basal diminuiu. Um cão que antes subia escadas com entusiasmo passa a parar no meio do caminho; um animal que adorava o passeio na praça da Mooca começa a sentar e recusar o trajeto.

A letargia é frequentemente interpretada como preguiça ou maturidade. O tutor relata um cão que dorme mais, demora a levantar, perde interesse em brincadeiras e responde menos aos estímulos. A intolerância ao frio é outro marcador: o animal procura lugares aquecidos, treme em dias amenos e busca cobertores mesmo em temperaturas que antes não o incomodavam. Como o hormônio tireoidiano regula a termogênese, a sensação de frio constante é fisiológica, não comportamental.

Há também alterações cardiovasculares discretas que podem passar despercebidas no exame físico rápido: bradicardia (frequência cardíaca abaixo do esperado), ritmo cardíaco mais fraco e, em casos prolongados, alterações na contratilidade do músculo cardíaco. Um sopro leve identificado em consulta de rotina, num cão de meia-idade com sobrepeso e apático, é um achado que merece investigação hormonal.

Pele e pelagem: o sistema de alerta mais visível

As manifestações dermatológicas costumam ser o que leva o tutor à clínica, e representam cerca de 60% a 80% dos casos sintomáticos. O padrão típico inclui:

  • Alopecia simétrica e não pruriginosa, geralmente em tronco, região lombar, flancos e base da cauda — a chamada ”cauda de rato”, com perda quase completa de pelos na porção final da cauda;
  • Pelagem opaca, seca e quebradiça, que não volta a crescer após tosa, e queda excessiva de pelos;
  • Hiperpigmentação da pele, com escurecimento progressivo de áreas antes rosadas;
  • Seborreia oleosa ou seca, com descamação e odor característico;
  • Mixedema, um espessamento da pele por acúmulo de mucopolissacarídeos, que dá ao rosto um aspecto ”inchado” e pesado, com pálpebras espessadas e focinho mais largo;
  • Infecções de pele recorrentes (piodermites) e otites externas que voltam pouco depois do tratamento — porque o sistema imunológico cutâneo está comprometido.

Esse é um ponto que costuma gerar frustração: cães tratados repetidamente para piodermite ou otite, com melhora parcial e recidiva em poucas semanas, muitas vezes têm um problema endócrino de base não identificado. A pele melhora, mas nunca sara completamente, porque a causa raiz permanece. Um cão com histórico de infecções cutâneas de repetição merece um perfil tireoidiano.

Manifestações menos conhecidas: nervos, olhos, reprodução e coagulação

O hipotireoidismo é uma doença multissistêmica, e alguns de seus efeitos são pouco associados a ele pelo público leigo:

Alterações neurológicas podem ocorrer, incluindo paralisia do nervo facial (o cão perde o movimento de um lado da face), síndrome vestibular com perda de equilíbrio e inclinação de cabeça, e, em casos graves, megaesôfago com regurgitação e risco de pneumonia por aspiração. Existe ainda a paralisia laríngea, que provoca rouquidão, alteração do latido e dificuldade respiratória ao esforço.

Alterações oftálmicas incluem ceratopatia lipídica e úlceras de córnea de difícil cicatrização. O hiperlipidemia — elevação de colesterol e triglicerídeos — é uma consequência metabólica direta e, quando acentuada, pode predispor a quadros de pancreatite.

Alterações reprodutivas são relevantes em cães de cria. Fêmeas podem apresentar ciclos irregulares, ausência de cio, infertilidade ou abortamentos; machos podem ter diminuição da libido, atrofia testicular e alterações na qualidade do sêmen. Criadores que trabalham com raças predispostas — Golden Retriever, Labrador, Dobermann, Boxer, Setter Irlandês, Cocker Spaniel, Dachshund, Pastor Alemão, Akita, Shetland Sheepdog — frequentemente se deparam com esse diagnóstico ao investigar falhas reprodutivas.

Vale registrar que cães castrados apresentam risco maior, e a faixa etária de maior incidência é entre quatro e dez anos, com pico em animais de meia-idade. A predisposição racial e a idade não são determinantes isolados, mas ajudam a compor a suspeita clínica.

Quando um sinal isolado justifica procurar exames

Nenhum sinal isolado fecha o diagnóstico, mas alguns merecem investigação laboratorial sem esperar a próxima consulta de rotina: ganho de peso sem mudança de dieta, apatia progressiva, queda de pelo simétrica sem coceira, infecções de pele ou ouvido que retornam em semanas, intolerância ao frio, bradicardia e histórico de tosa que não recupera pelagem. Em qualquer um desses cenários, um hemograma, um perfil bioquímico e uma dosagem hormonal básica resolvem a dúvida em poucos dias.

Diagnóstico laboratorial: como se confirma o hipotireoidismo canino

O diagnóstico do hipotireoidismo não se faz apenas pela clínica. Os sinais ajudam a levantar a suspeita, mas a confirmação exige exames, e é aí que a qualidade do laboratório veterinário passa a ser determinante. Um resultado mal interpretado leva tanto a tratamentos desnecessários quanto a casos tratados de menos.

O perfil tireoidiano: T4 total, T4 livre e TSH canino

A avaliação inicial costuma incluir a dosagem de T4 total, que mede o hormônio circulante, ligado a proteínas carreadoras e livre. É um teste sensível, mas pouco específico: valores baixos aparecem tanto no hipotireoidismo verdadeiro quanto em diversas outras situações.

O T4 livre por diálise de equilíbrio mede a fração hormonal biologicamente ativa, não ligada a proteínas. É um teste mais específico e sofre menos interferência de doenças concomitantes e de medicamentos. É o exame preferencial quando o T4 total está baixo e a suspeita clínica é moderada.

O TSH canino endógeno (cTSH) fecha o raciocínio: no hipotireoidismo primário, a tireoide falha, o T4 cai e a hipófise responde aumentando o TSH. Um TSH elevado associado a T4 livre baixo é um achado bastante consistente. A limitação é que o TSH pode permanecer dentro da normalidade em cerca de 20% a 40% dos cães hipotireoideos, e alguns ensaios comerciais têm sensibilidade reduzida. Por isso, a interpretação deve ser conjunta, nunca baseada em um único número.

Além dos testes de base, existem exames de estímulo com TRH ou TSH recombinante, de uso menos frequente na rotina brasileira por questões de custo e disponibilidade, mas úteis em casos duvidosos. A ultrassonografia da tireoide também pode contribuir: glândulas pequenas, de ecogenicidade alterada, sugerem tireoidite ou atrofia.

Doenças concomitantes, medicamentos e o falso hipotireoidismo

Este é o ponto que mais gera erro diagnóstico. Existe a síndrome do eutireoideo doente (ou euthyroid sick syndrome): cães com doenças graves não tireoidianas — insuficiência renal, hepatopatias, diabetes mellitus, neoplasias, infecções severas — podem apresentar T4 total baixo, simulando hipotireoidismo quando não há nenhum problema na tireoide.

Diversos medicamentos também deprimem os valores de T4: glicocorticoides, fenobarbital e outros anticonvulsivantes, sulfonamidas, AINEs, clomipramina e alguns fármacos usados em cardiologia. Um cão tratado com prednisona para uma dermatite alérgica pode ter T4 baixo e TSH baixo, sem ter hipotireoidismo.

A conclusão prática é direta: o perfil tireoidiano deve ser solicitado em um animal clinicamente estável, sempre com histórico medicamentoso completo e, quando possível, com suspensão dos fármacos interferentes por período adequado, sob orientação do médico-veterinário. Interpretar um T4 baixo sem esse contexto é uma das principais causas de tratamento desnecessário com levotiroxina.

Exames de apoio: hemograma, bioquímica e urinálise

O hipotireoidismo deixa marcas em exames inespecíficos que reforçam a suspeita:

  • Hipercolesterolemia é um achado frequente, presente em boa parte dos casos;
  • Elevação da fosfatase alcalina (ALP) e, menos comumente, da ALT;
  • Anemia normocítica, normocrômica e arregenerativa, de intensidade leve a moderada;
  • Elevação de creatina quinase (CK), associada a fraqueza muscular;
  • Hipertrigliceridemia e, na urinálise, densidade urinária alterada.

Esses dados não confirmam o diagnóstico, mas constroem um conjunto coerente. Um cão com apatia, pelagem ruim, colesterol alto e T4 livre baixo tem um quadro que se sustenta. Um cão com T4 baixo isolado, colesterol normal e nenhum sinal clínico provavelmente não tem a doença.

Por que repetir exames faz parte do processo

Um resultado isolado raramente é conclusivo. Quando há discordância entre clínica e laboratório, a conduta adequada é repetir as dosagens após um intervalo de quatro a oito semanas, preferencialmente com o animal em jejum e em condição clínica estável, e considerar os testes complementares. Essa etapa parece burocrática, mas evita que o cão seja medicado por anos sem necessidade — e a levotiroxina não é isenta de efeitos: em excesso, pode causar taquicardia, agitação, polifagia, poliúria e perda de peso excessiva.

Tratamento e manejo: o que muda na rotina do tutor

Confirmado o diagnóstico, a notícia costuma vir acompanhada de uma pergunta: o cão vai depender de remédio para sempre? A resposta honesta é que sim, na grande maioria dos casos — mas com um prognóstico excelente e uma rotina simples de manter, desde que bem organizada.

Levotiroxina sódica: dose, horário e constância

O tratamento padrão é a levotiroxina sódica sintética, administrada por via oral. A dose inicial mais utilizada é de aproximadamente 0,02 mg/kg a cada 12 horas, com ajustes conforme resposta clínica e resultados de monitoramento. Alguns protocolos trabalham com administração única diária, mas a meia-vida do medicamento e a resposta individual fazem com que o esquema de 12 em 12 horas seja o mais previsível.

Detalhes operacionais fazem diferença real:

  • Administrar sempre no mesmo horário, com intervalo consistente entre as doses;
  • Oferecer o comprimido preferencialmente com o estômago relativamente vazio ou com pequena quantidade de alimento, já que a absorção varia com a presença de comida;
  • Não partir comprimidos de liberação modificada nem triturar sem orientação;
  • Não interromper o tratamento por conta própria quando o animal melhorar — a melhora é justamente o efeito do medicamento;
  • Manter um registro simples de horários, útil em casas com mais de um tutor ou com rotina de trabalho fora de casa.

A resposta clínica costuma aparecer em duas a quatro semanas, com mais energia, melhor apetite regulado e maior disposição para o exercício. As mudanças dermatológicas são mais lentas: a pelagem leva de dois a três meses para mostrar recuperação visível, e o pelo pode demorar ainda mais para voltar à densidade original. Entender esse cronograma evita a frustração de achar que o tratamento não está funcionando.

Monitoramento: quando repetir os exames e o que se espera

O primeiro controle é feito geralmente quatro a oito semanas após o início do tratamento. A coleta de sangue deve ser feita de forma padronizada — o mais comum é colher entre quatro e seis horas após a administração do comprimido, para avaliar o pico hormonal, ou imediatamente antes da dose seguinte, para avaliar o vale. O protocolo escolhido deve ser mantido em todos os controles, para que os resultados sejam comparáveis.

O objetivo não é normalizar o número do exame, e sim atingir o eutireoidismo clínico: um cão que voltou a ter energia, peso adequado, pelagem em recuperação e sem efeitos adversos. Valores de T4 discretamente acima da faixa de referência podem ser aceitáveis se o animal estiver bem; valores dentro da faixa com sinais persistentes indicam necessidade de ajuste.

Depois da estabilização, controles a cada seis ou doze meses são suficientes na maioria dos casos, sempre com avaliação clínica. Cães idosos, com comorbidades cardíacas ou renais, podem exigir acompanhamento mais próximo.

Manejo complementar: peso, pele, dieta e doenças associadas

A levotiroxina corrige a deficiência hormonal, mas não resolve tudo sozinha. O manejo completo inclui:

Controle de peso com plano alimentar adequado. Muitos cães chegam ao diagnóstico com sobrepeso, e a perda gradual de peso exige ajuste calórico e atividade física progressiva, respeitando o condicionamento do animal.

Cuidados com a pele: shampoos medicamentosos para seborreia, tratamento das piodermites e otites com acompanhamento dermatológico, e reavaliação periódica. A pele hipotireoidea melhora com o hormônio, mas infecções secundárias precisam de tratamento específico em paralelo.

Manejo das doenças associadas: hiperlipidemia, pancreatite prévia, alterações cardíacas e neurológicas podem exigir acompanhamento com especialistas. O hipotireoidismo frequentemente coexiste com outras condições em cães idosos, e cada uma delas merece atenção própria.

Atenção a interações: suplementos com cálcio, ferro ou antiácidos reduzem a absorção da levotiroxina e devem ser administrados com intervalo de várias horas.

Prevenção, rastreamento precoce e acesso a diagnóstico na Zona Leste de São Paulo

Hipotireoidismo não tem prevenção primária conhecida: não há vacina, dieta ou hábito que impeça uma tireoidite autoimune de se instalar. O que existe é rastreamento precoce — e é aí que a rotina de check-up passa a ter valor concreto para tutores de Tatuapé, Mooca, Carrão, Penha, Belém, Aricanduva, Vila Prudente, Parque São Jorge e bairros vizinhos.

Check-up anual com perfil hormonal: para quem faz sentido

Todo cão a partir dos seis ou sete anos se beneficia de um check-up anual que inclua hemograma completo, perfil bioquímico (com função renal, hepática e dosagem de colesterol) e urinálise. Esses exames são acessíveis, rápidos e capturam uma série de problemas além da tireoide.

O perfil tireoidiano completo não precisa ser solicitado de rotina para todos os cães, mas é indicado quando existe pelo menos um dos seguintes fatores: raça predisposta, laboratório veterinario são paulo tatuapé idade acima de quatro anos com sinais inespecíficos, histórico de dermatopatias de repetição, ganho de peso sem causa aparente, uso contínuo de medicamentos que interferem na tireoide, ou investigação de infertilidade. Em cães idosos, incluir a dosagem de T4 total no painel anual é uma decisão razoável e de custo moderado.

Logística, custo e escolha do laboratório de referência

Um obstáculo real na Zona Leste é a logística. A coleta precisa ser feita em horário adequado, o material tem que chegar ao laboratório veterinario são paulo tatuapé em condições controladas, e o resultado depende da metodologia utilizada. Alguns pontos práticos:

  • Prefira laboratórios veterinários com metodologia validada para cães — ensaios humanos podem gerar resultados enganosos, especialmente para TSH;
  • Verifique se o laboratório informa a faixa de referência específica para a espécie e o método empregado;
  • Confirme se há controle de qualidade interno e participação em programas de proficiência;
  • Organize a coleta em um único dia, aproveitando exames de rotina e perfil hormonal na mesma punção, o que reduz estresse para o animal e custo para o tutor;
  • Guarde todos os laudos em uma pasta ou aplicativo — histórico comparativo vale mais do que um exame isolado.

Em bairros com boa oferta de clínicas e laboratórios, como Tatuapé e Mooca, a rede de serviços é ampla, mas a variação de qualidade também. Vale perguntar diretamente ao médico-veterinário qual laboratório ele utiliza e por quê. Transparência sobre metodologia é um bom indicador de seriedade.

Sinais de alerta que não devem esperar a próxima consulta

Alguns quadros exigem avaliação imediata, sem esperar o check-up programado: regurgitação frequente (possível megaesôfago), dificuldade respiratória ou alteração súbita do latido (possível paralisia laríngea), perda de equilíbrio ou desvio de cabeça, paralisia facial, desmaio ou frequência cardíaca muito baixa. Nesses casos, a investigação hormonal entra no contexto de um quadro agudo e o atendimento deve ser prioritário.

Resumo e próximos passos práticos

O hipotireoidismo em cães é uma falha na produção dos hormônios tireoidianos que desacelera o metabolismo como um todo. Na maioria dos casos, a causa é primária — tireoidite autoimune ou atrofia da glândula — e o quadro se instala lentamente ao longo de meses. Os sinais mais frequentes são ganho de peso sem aumento de apetite, apatia, intolerância ao frio, queda de pelo simétrica sem coceira, pele espessada e infecções cutâneas ou de ouvido recorrentes. O diagnóstico se confirma com T4 total, T4 livre por diálise e TSH canino, sempre interpretados em conjunto com o exame clínico, o histórico medicamentoso e exames de apoio como hemograma, bioquímica e colesterol. O tratamento com levotiroxina é simples, vitalício e com prognóstico excelente na maioria dos casos.

Se você tem um cão em Tatuapé, Mooca, Carrão, Penha, Belém, Aricanduva, Vila Prudente, Parque São Jorge ou região, estes são os passos que fazem diferença agora:

  • Anote, por uma semana, o comportamento do seu cão: quanto come, quanto dorme, se cansou mais rápido, se a pelagem mudou;
  • Verifique se há raça predisposta, idade acima de quatro anos ou castração no histórico do animal;
  • Agende um check-up com hemograma, perfil bioquímico completo e urinálise — a base de qualquer investigação;
  • Se houver sinal clínico compatível, peça ao médico-veterinário a inclusão de T4 total, T4 livre por diálise e TSH canino;
  • Informe todos os medicamentos em uso, inclusive os de uso contínuo, antes da coleta;
  • Escolha um laboratório veterinário com metodologia validada e faixa de referência específica para cães;
  • Guarde todos os laudos e leve o histórico às consultas seguintes;
  • Se o diagnóstico for confirmado, estabeleça uma rotina fixa de medicação e respeite o cronograma de reavaliação a cada quatro a oito semanas no início;
  • Não interrompa o tratamento por conta própria quando o cão melhorar — a melhora é resultado do medicamento, não sinal de cura;
  • Em caso de regurgitação, dificuldade respiratória, desequilíbrio ou desmaio, procure atendimento imediato.

Identificar um distúrbio tireoidiano cedo não devolve apenas exames normalizados: devolve ao cão a energia para subir a escada, o interesse pelo passeio e a pelagem que o tutor reconhece. Em uma rotina tão cheia quanto a de quem vive na Zona Leste, contar com um check-up bem feito é o atalho mais confiável entre observar um sintoma e resolver um problema.

Sort by:

No listing found.

0 Review

Sort by:
Leave a Review

Leave a Review

Compare listings

Compare